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Botão de soneca do celular ajuda ou piora a qualidade do sono?

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Apertar o botão de soneca do celular repetidamente pode prolongar a sensação de cansaço e dificultar o despertar. Embora alguns minutos extras de sono possam ter efeitos diferentes entre as pessoas, o uso frequente e prolongado do recurso merece atenção, principalmente quando a dificuldade para sair da cama se torna parte da rotina.

Segundo Sidney Godoi, neurologista da Hapvida e especialista em Medicina do Sono, ao voltar a dormir depois que o alarme toca, o organismo inicia uma nova transição para o sono, que acaba interrompida poucos minutos depois. Os ciclos do sono duram, em média, de 90 a 110 minutos e passam por diferentes estágios, do sono leve ao profundo, além da fase REM.

“Ao dormir apenas 5 a 15 minutos adicionais, o cérebro inicia a transição para sono mais profundo (aumento de ondas delta), mas é interrompido antes de completar o ciclo. Essa interrupção abrupta é um dos gatilhos da chamada inércia do sono, o estado de sonolência e baixa cognição ao despertar. Portanto, cientificamente, esse sono adicional não proporciona descanso reparador significativo. Ao contrário, tende a fragmentar ainda mais o sono e intensificar a sensação de fadiga, pois o cérebro é ‘puxado’ de volta à vigília no meio de um processo de aprofundamento para dormir”, alerta o médico.

O que é a inércia do sono?

A inércia do sono é um estado transitório de sonolência, desorientação e redução do desempenho cognitivo e motor que ocorre logo após o despertar. Conforme o especialista, suas causas ainda não são totalmente compreendidas, mas algumas hipóteses envolvem a persistência de ondas delta, características do sono profundo, a ação da adenosina, substância relacionada à sonolência, e alterações no fluxo sanguíneo cerebral em regiões associadas à atenção e à tomada de decisões.

De acordo com Godoi, essa sensação costuma durar de 15 a 60 minutos, mas pode se prolongar por horas em pessoas com privação de sono ou distúrbios que afetam o descanso.

Usar a soneca várias vezes faz mal?

As pesquisas sobre o assunto apresentam resultados que exigem uma análise cuidadosa. Um estudo publicado no Journal of Sleep Research e replicado por pesquisadores da Universidade de Estocolmo apontou que períodos de soneca de até 30 minutos não pioraram a inércia do sono nem o desempenho cognitivo imediato em comparação com levantar no primeiro alarme, desde que o tempo total fosse limitado.

Por outro lado, pesquisas anteriores indicam que despertares repetidos podem fragmentar o sono restante e prolongar a sensação subjetiva de sonolência. O texto também destaca a possibilidade de elevação temporária dos níveis de cortisol em razão da repetição dos alarmes e de sensação de exaustão cognitiva.

“Ou seja, apertar o botão de soneca uma ou duas vezes, por curtos períodos, parece ter impacto neutro ou até levemente positivo em alguns indivíduos. Já o uso repetido e prolongado, com múltiplos ciclos de soneca, tende a agravar a inércia, por interromper repetidamente estágios iniciais de sono profundo”, ressalta o neurologista.

A necessidade diária de adiar o despertador também pode indicar que a pessoa não está dormindo o suficiente ou que a qualidade do sono está comprometida. Entre as possibilidades estão o débito de sono, quando alguém dorme menos do que precisa, o sono fragmentado e distúrbios como a apneia obstrutiva do sono.

Para adultos, a necessidade de sono costuma ficar entre sete e nove horas por noite, embora varie de pessoa para pessoa.


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Quando a dificuldade para acordar merece avaliação médica?

A dificuldade persistente para despertar não deve ser considerada apenas um hábito. Alguns sinais podem indicar a necessidade de avaliação por um profissional de saúde:

  • Sonolência excessiva durante o dia, mesmo após dormir o suficiente.
  • Ronco alto, engasgos ou pausas respiratórias percebidas por outra pessoa durante o sono.
  • Dificuldade extrema para despertar, acompanhada de confusão prolongada.
  • Irritabilidade, problemas de concentração ou falhas de memória ao longo do dia.
  • Necessidade frequente de cafeína ou estimulantes para conseguir realizar as atividades cotidianas.
  • Dores de cabeça recorrentes pela manhã.
  • Sensação de sono não reparador mesmo após sete a nove horas de descanso.

“A combinação desses sinais pode indicar apneia do sono, insônia, distúrbios do ritmo circadiano ou outras condições que exigem diagnóstico formal, frequentemente por meio de polissonografia (estudo do sono)”, esclarece Godoi.

Dicas para melhorar o sono e o despertar

O neurologista recomenda algumas medidas para organizar a rotina e facilitar o despertar:

  • Manter horários regulares: procurar dormir e acordar em horários consistentes, inclusive nos fins de semana.
  • Observar os próprios padrões de sono: registrar os horários de dormir e acordar para identificar hábitos e necessidades individuais.
  • Buscar luz natural pela manhã: a exposição à luz ao despertar ajuda a regular o ritmo circadiano e favorece o estado de alerta.
  • Experimentar alarmes graduais: sons crescentes ou luz progressiva podem tornar o despertar menos abrupto.
  • Evitar álcool e nicotina perto da hora de dormir: essas substâncias podem prejudicar a continuidade do sono.
  • Limitar o uso da soneca: se optar pelo recurso, o especialista recomenda um único período curto, de até 10 a 15 minutos, em vez de vários adiamentos.
  • Anotar a rotina por uma a duas semanas: um diário do sono pode ajudar a identificar padrões e fornecer informações úteis para uma eventual avaliação médica.

O especialista ressalta que o descanso adequado é uma necessidade biológica. Quando a pessoa depende de vários alarmes diariamente para conseguir levantar, vale observar se está dormindo o suficiente e se o sono realmente proporciona recuperação.


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Escrito por:

Helo Pedrosa

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Heloísa Pedrosa

Colunista e Fundadora
Apresentadora do programa Heloisa Pedrosa, do PodHelô Cast e Ideias de Sucesso. Palestrante e Digital Influencer.

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