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Estudo reforça impacto da vacina contra o HPV na redução de mortes por câncer de colo do útero

Pesquisa publicada na The Lancet aponta que nenhuma mulher de 20 a 24 anos morreu pela doença na Inglaterra entre 2020 e 2024; especialista destaca a importância da vacinação e do diagnóstico precoce

Os avanços da vacinação contra o HPV começam a produzir resultados concretos na redução da mortalidade por câncer de colo do útero. Um estudo publicado na revista científica The Lancet revelou que nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu em decorrência da doença na Inglaterra entre 2020 e 2024. Segundo os pesquisadores, o resultado está diretamente relacionado ao programa de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), implantado no país há mais de uma década e direcionado a adolescentes antes do início da vida sexual.

O levantamento representa uma das evidências mais robustas já observadas sobre o impacto da imunização na prevenção do câncer e reforça a importância de políticas públicas voltadas à vacinação precoce. Além da expressiva redução das infecções pelo vírus, os dados demonstram que a estratégia já começa a refletir na diminuição dos casos graves e das mortes provocadas pela doença.

O cenário chama atenção especialmente quando comparado à realidade brasileira. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar mais de 19 mil novos casos de câncer de colo do útero por ano entre 2026 e 2028, mantendo a doença como o terceiro tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Vacinação muda o futuro da doença

Para o oncologista Diocésio Andrade, os resultados observados na Inglaterra demonstram, na prática, o potencial da vacinação como uma das principais ferramentas de prevenção do câncer.

“Estamos começando a observar um impacto que vai além da redução das infecções pelo HPV e chega à mortalidade pelo câncer. É um resultado muito relevante para a oncologia porque mostra, na prática, que a prevenção iniciada precocemente pode mudar o cenário da doença ao longo dos anos”, afirma.

O especialista explica que a infecção persistente pelos tipos de alto risco do HPV está presente na grande maioria dos casos de câncer de colo do útero. A vacina atua justamente impedindo que o vírus provoque alterações celulares capazes de evoluir para lesões pré-cancerosas e, posteriormente, para o câncer.

Por se tratar de uma doença cuja evolução costuma ocorrer de forma lenta, os benefícios da vacinação tendem a aparecer gradualmente ao longo dos anos, à medida que as gerações imunizadas chegam à vida adulta.


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Imunização protege mulheres e homens

No Brasil, a vacinação contra o HPV integra o calendário nacional de imunização e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos entre 9 e 14 anos.

Além disso, alguns municípios vêm realizando campanhas de busca ativa para ampliar a cobertura vacinal entre adolescentes que perderam a oportunidade de receber a imunização na idade recomendada. Em Ribeirão Preto, por exemplo, jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados podem participar da estratégia de resgate, prorrogada até 31 de dezembro, com aplicação gratuita na rede pública de saúde.

Segundo Diocésio Andrade, ainda existe um equívoco frequente ao associar a vacina exclusivamente à prevenção do câncer de colo do útero.

“Ainda existe a percepção de que a vacina contra o HPV está relacionada apenas à prevenção do câncer de colo do útero, mas o vírus também está associado a tumores de pênis, ânus e orofaringe. Por isso, a imunização de meninos e meninas tem um papel importante tanto na proteção individual quanto na redução da circulação do vírus”, explica.

Ao ampliar a cobertura vacinal em ambos os sexos, também diminui-se a circulação do vírus na população, reduzindo o risco de transmissão e protegendo indiretamente pessoas não imunizadas.

Exames preventivos continuam indispensáveis

Embora a vacinação represente um importante avanço no combate ao câncer de colo do útero, os especialistas ressaltam que ela não substitui o acompanhamento ginecológico periódico.

A realização de exames preventivos, como o Papanicolau, continua sendo fundamental para identificar alterações nas células do colo do útero antes que elas evoluam para um câncer. Quando diagnosticada nas fases iniciais, a doença apresenta elevadas taxas de cura e tratamentos menos agressivos.

Segundo o oncologista, vacinação e rastreamento devem caminhar juntos.

“Imunização e acompanhamento periódico são estratégias complementares. Enquanto uma atua na prevenção da infecção, os exames permitem identificar alterações precocemente, quando as possibilidades de tratamento e cura são maiores. Essas medidas reforçam a importância de uma prevenção consistente contra o câncer de colo do útero”, conclui Andrade.

Os resultados observados no estudo inglês reforçam uma tendência já apontada por pesquisas internacionais: ampliar a cobertura vacinal contra o HPV e manter programas eficientes de rastreamento pode reduzir significativamente a incidência e a mortalidade por um dos cânceres que mais afetam mulheres em todo o mundo.


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Escrito por:

Helo Pedrosa

Colunista HP

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Heloísa Pedrosa

Heloísa Pedrosa

Colunista e Fundadora
Apresentadora do programa Heloisa Pedrosa, do PodHelô Cast e Ideias de Sucesso. Palestrante e Digital Influencer.

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