Helô de olho em Ribeirão Preto
O fim de um período eleitoral não significa, necessariamente, o encerramento das tensões provocadas pelas disputas políticas. Divergências que continuam nas conversas familiares, nas amizades e nas redes sociais podem prolongar sentimentos de ansiedade, irritabilidade e preocupação com o futuro. O alerta é da psicóloga Juscimária Bezerra, da Hapvida, que chama a atenção para os efeitos desses conflitos quando começam a comprometer o sono, a rotina e os relacionamentos.
Com atuação fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a especialista explica que a maneira como cada pessoa interpreta uma situação influencia diretamente suas emoções e reações.
“O período eleitoral pode despertar emoções muito intensas, porque envolve nossos valores, nossas expectativas, a preocupação e o medo em relação ao futuro. Quando esse envolvimento começa a interferir no sono, na rotina e nas relações interpessoais, precisamos olhar com mais atenção para a nossa saúde mental”, afirma.
Uma discordância política, por exemplo, pode ser interpretada não apenas como uma diferença de opinião, mas como uma rejeição pessoal. Essa percepção tende a intensificar a raiva e favorecer respostas impulsivas, ampliando conflitos que poderiam ser conduzidos de outra maneira.
“A maneira como interpretamos uma situação influencia tanto o que sentimos quanto a forma como reagimos”, acrescenta Juscimária.
Como evitar que as divergências se transformem em conflitos pessoais
O desafio, segundo a psicóloga, não é abandonar as próprias convicções, mas reconhecer quando o envolvimento político começa a provocar um desgaste emocional elevado. Antes de reagir a uma provocação, a orientação é interromper o impulso, distinguir o que foi efetivamente dito daquilo que foi interpretado e avaliar como se posicionar sem ampliar a tensão.
Estabelecer limites também é uma medida importante. Encerrar uma conversa diante de ofensas ou recusar a continuidade de uma discussão são atitudes de autocuidado.
“Respeitar diferenças políticas não significa tolerar agressões nem permanecer em situações que comprometem o bem-estar emocional”, reforça a especialista.
Outro fator de atenção é a exposição contínua às redes sociais. O consumo frequente de notícias, comentários e opiniões mantém o tema em evidência e pode reduzir o espaço dedicado ao descanso e à convivência. Entre as recomendações estão definir horários para acompanhar o noticiário, buscar fontes confiáveis e preservar momentos para a família, a atividade física e o repouso.
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Estresse também pode afetar atenção e memória
Além das alterações emocionais, períodos de preocupação intensa podem vir acompanhados de dificuldades de atenção e memória. Juscimária ressalta que esses sinais precisam ser analisados em conjunto com a qualidade do sono, o estado emocional e a história de cada pessoa.
Uma dificuldade cognitiva pontual não significa, por si só, a existência de um transtorno. Quando há indicação clínica, a avaliação neuropsicológica pode contribuir para investigar essas alterações e esclarecer se estão relacionadas a fatores momentâneos ou se exigem uma investigação mais aprofundada.
A recomendação é procurar acompanhamento psicológico quando a ansiedade, a irritabilidade e os pensamentos negativos se tornam persistentes ou começam a interferir na vida cotidiana.
“Não é necessário esperar que o sofrimento atinja proporções maiores para buscar ajuda”, orienta.
Para a especialista, o posicionamento político e a preservação da saúde mental não são incompatíveis. Estabelecer limites, rever interpretações e cuidar dos vínculos pessoais são atitudes que ajudam a evitar que as divergências ultrapassem o debate de ideias e comprometam o bem-estar.