Helô de olho em Ribeirão Preto

Uma casa construída entre 1925 e 1930, no centro histórico de Ribeirão Preto, passou a abrigar um novo espaço independente dedicado à produção e à experimentação artística. A Central Contemporânea foi inaugurada em 17 de outubro, com a abertura da exposição Arde Outra Vez, que propõe reflexões sobre censura, autocensura e liberdade de expressão na arte.
O espaço funciona como uma ocupação coletiva de ateliês e ambiente expositivo, com gestão compartilhada pela arquiteta, urbanista, artista visual e curadora Yolanda Cipriano, pelo artista visual e arte-educador Felipe Pitt e pelo artista plástico e poeta Thiago Klumb. A iniciativa busca aproximar diferentes práticas artísticas, incentivar a produção autoral e promover o intercâmbio de ideias, ampliando as possibilidades de ocupação cultural da região central.
“Abrir um espaço de arte contemporânea em um casarão da década de 1930 no centro de Ribeirão Preto é um encontro poderoso entre memória urbana e criação atual. Essa fusão valoriza o patrimônio histórico ao mesmo tempo em que oxigena a região central da cidade com novas experiências culturais e debates artísticos”, afirma Yolanda.
Casarão histórico conecta arquitetura e criação contemporânea
A escolha do imóvel integra a proposta da Central Contemporânea. Construído entre 1925 e 1930, o casarão preserva características da arquitetura residencial da época e passou por uma reforma em 2019, mantendo elementos originais que marcam sua identidade.
Entre os detalhes estão os pisos de ladrilho hidráulico com composições geométricas, os tacos de madeira dos quartos, as portas e janelas de cedro e peroba-rosa e os guarda-roupas revestidos com lâmina de imbuia. O imóvel também conserva a iluminação natural de um dos banheiros, feita por blocos de vidro decorado, e uma escada de granilite com madrepérola.
Nesse ambiente, a arquitetura histórica passa a integrar a experiência de artistas e visitantes. “Ao receber a produção artística contemporânea sem apagar as características originais da construção, a Central estabelece uma relação entre memória e criação, reforçando o potencial de imóveis históricos como espaços vivos de cultura”, afirma Thiago.
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Exposição inaugural aborda censura e liberdade artística
A programação de abertura começou com Arde Outra Vez, projeto idealizado pelo artista visual Élcio Miazaki, com participação de Andréa Eichenberger, Guta Galli, Marcelo Amorim, Patrícia Paixão, Renan Marcondes, Tales Frey e Wagner Schwartz.
A exposição reúne produções que discutem experiências de censura, autocensura e outras formas de silenciamento no campo artístico. Em Ribeirão Preto, a mostra integra Corpo de Prova, projeto concebido por Miazaki como uma exposição expandida, que se desdobra em diferentes espaços independentes para estabelecer diálogos entre artistas, instituições e públicos de várias cidades.
A iniciativa dá continuidade a uma investigação artística sobre as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura civil-militar brasileira.
A trajetória recente do projeto também foi marcada por um episódio de censura em Ouro Preto (MG), onde a abertura da exposição Habeas Corpus, de Élcio Miazaki, foi impedida no início de 2026. A experiência passou a integrar o processo criativo do artista e a inspirar novas reflexões sobre os limites impostos à produção cultural e as possibilidades de resistência pela arte.
Para Felipe Pitt, a apresentação de Arde Outra Vez se conecta ao propósito da Central Contemporânea de criar um ambiente independente de produção, circulação e debate artístico. A exposição marca, assim, o início de uma proposta de ocupação cultural que valoriza a diversidade de perspectivas e o diálogo entre a arte e as questões do presente.
“Ao reunir uma exposição dedicada à liberdade de expressão e uma casa que preserva marcas de outras épocas, a Central Contemporânea começa sua trajetória colocando em diálogo diferentes formas de memória. De um lado, a história inscrita na arquitetura, de outro, a arte como instrumento para questionar o presente e imaginar novos caminhos”, conclui Yolanda.
Serviço
Central Contemporânea — exposição Arde Outra Vez
Local: Rua General Osório, 983, Centro, Ribeirão Preto (SP).
Inauguração: 17 de outubro de 2026, das 17h às 22h.
Visitação: de 21 de outubro a 7 de novembro de 2026.
- Quartas-feiras: das 18h às 21h.
- Sextas-feiras: das 14h às 18h.
- Sábados: das 9h às 15h.
Entrada: gratuita.
Classificação indicativa: 14 anos.
Informações: (16) 99616-1983.


