Helô de olho em Ribeirão Preto

O estado de São Paulo registrou 3,1 milhões de empresas inadimplentes entre janeiro e julho de 2026, com alta de 4,6% no número de CNPJs negativados. Os dados da Serasa Experian, divulgados no final de setembro, mostram que o total das dívidas empresariais chegou a R$ 87,3 bilhões, um aumento superior a 16% no período.
O levantamento aponta que a média foi de 7,7 dívidas em aberto por empresa. O número de débitos passou de 21,8 milhões para 24,1 milhões, crescimento de 10,6%. Já o valor médio das dívidas subiu de R$ 24 mil para R$ 27,7 mil.
O cenário reforça a importância do planejamento financeiro, do controle do fluxo de caixa e da escolha de soluções de crédito compatíveis com a capacidade de pagamento de cada negócio.
Para Eduardo Malaguti, coordenador de estratégias de negócios do Sicoob Cooperac, a proximidade com os empresários é um diferencial das cooperativas de crédito.
“Um dos pilares do cooperativismo de crédito é justamente a proximidade com o empresário. Esse relacionamento nos permite conhecer melhor a realidade de cada negócio, entender seus desafios e oferecer orientação mais consultiva, personalizada”, afirma.
Micro e pequenas empresas concentram dívidas
Em julho, as micro e pequenas empresas representavam 8,7 milhões dos 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes no país, acumulando R$ 206 bilhões em dívidas, segundo a Serasa Experian.
Outro indicador de atenção é o custo do crédito. O Banco Central registrou taxa média de juros de 24,2% ao ano nas operações de crédito livre para pessoas jurídicas em agosto. O percentual corresponde a uma média de mercado, e as condições podem variar conforme a instituição financeira e o perfil de cada empresa.
Os indicadores têm metodologias diferentes. Enquanto a Serasa Experian considera empresas com dívidas vencidas e não pagas informadas pelos credores, o Banco Central acompanha a inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro.
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Cooperativismo pode apoiar a gestão financeira
As cooperativas de crédito oferecem soluções como capital de giro, antecipação de recebíveis, emissão de boletos e maquininhas de cartões. Quando escolhidas de acordo com as necessidades e a capacidade de pagamento do negócio, essas ferramentas podem auxiliar na organização do caixa, no pagamento de fornecedores e na manutenção dos estoques.
“O crédito precisa ser ferramenta de planejamento e desenvolvimento, e não se transformar em mais um problema financeiro”, destaca Malaguti.
No modelo cooperativista, o empreendedor também é cooperado e pode ter direito a voz e voto nas decisões da instituição, participação nos resultados e acesso a produtos e serviços financeiros. A proposta é gerar benefícios aos cooperados, além de atender às necessidades financeiras de seus negócios.
Capacitação e planejamento para enfrentar os desafios
Diante do avanço da inadimplência empresarial, a capacitação e o acesso à informação também são apontados como recursos importantes para aprimorar a gestão financeira.
Em Ribeirão Preto, o Sicoob Cooperac realizou, em parceria com o Sebrae, o lançamento do projeto Avança Cooperado, iniciativa voltada à capacitação dos cooperados. A proposta reforça a importância do conhecimento e do planejamento na condução dos negócios.
Para a diretoria da cooperativa, essas ferramentas podem ajudar empresários a enfrentar os desafios econômicos e tomar decisões financeiras mais conscientes.
“O momento exige que o empresário olhe para o crédito não apenas como solução emergencial, mas como parte da estratégia de gestão financeira. Ter acesso a diferentes alternativas, entender o custo de cada operação e contar com uma instituição que conheça a realidade do negócio pode fazer diferença para preservar o caixa e manter a empresa saudável”, finaliza Malaguti.


