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Por que tantas dietas falham? Nutricionista explica como emoções e rotina influenciam a alimentação

Helô de olho em Ribeirão Preto


Manter uma alimentação equilibrada envolve mais do que saber quais alimentos escolher. Rotina, cansaço, emoções, orçamento e vida social interferem nas decisões diárias e ajudam a explicar por que planos baseados apenas em restrições podem ser difíceis de sustentar.

O tema ganha relevância diante do avanço do excesso de peso no Brasil. De acordo com dados da série Carga Global de Doenças, publicados na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, a obesidade entre brasileiros com 25 anos ou mais passou de 7,8%, em 1990, para 27,7%, em 2023.

No mesmo período, a parcela da população com excesso de peso, classificação que inclui sobrepeso e obesidade, subiu de 40,3% para 66,8%. O Brasil registrou o maior aumento na prevalência de obesidade entre os 17 países latino-americanos analisados.

Para a nutricionista Mari Escobar, de Ribeirão Preto, esse cenário reforça a necessidade de questionar abordagens que reduzem o cuidado com a alimentação a listas de proibições e promessas de resultados rápidos.

“Se o plano só funciona em uma rotina perfeita, ele não prepara o paciente para a vida real. Quando surgem os imprevistos, o cansaço, uma viagem ou até mesmo uma refeição em família, a pessoa sente que perdeu o controle. O problema não está apenas no que vai ao prato, mas também na forma como ela aprendeu a lidar com essas situações”, explica.

Quando a alimentação não cabe na rotina

Uma pesquisa nacional realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados reforça que as dificuldades para manter uma alimentação adequada não estão restritas ao conhecimento sobre nutrição. O levantamento ouviu 2.015 pessoas nas 27 unidades da Federação.

Entre os entrevistados, 29% apontaram o preço de carnes frescas, frutas e vegetais como obstáculo, enquanto 21% citaram a falta de tempo e o cansaço.

Segundo Mari Escobar, muitas pessoas sabem o que compõe uma alimentação saudável, mas encontram dificuldades para transformar esse conhecimento em escolhas compatíveis com a própria realidade.

“É comum o paciente chegar ao consultório sabendo o que deveria comer. A dificuldade aparece na hora de adaptar esse conhecimento a um dia corrido, ao orçamento familiar e ao que está disponível em casa. Uma orientação pode estar tecnicamente correta, mas, se for impossível de aplicar, aumenta a frustração e não gera autonomia”, afirma.

As emoções também influenciam a alimentação. Comer envolve convivência, afeto, prazer e memória, elementos que fazem parte da experiência humana. A dificuldade pode surgir quando a comida se torna a principal resposta para aliviar a ansiedade, o estresse, a tristeza ou a frustração, especialmente quando esse comportamento é seguido por culpa e tentativas de compensação.

“Sentir prazer ao comer não é um problema. A dificuldade começa quando a pessoa usa a comida automaticamente para silenciar qualquer desconforto e, depois, tenta compensar com jejum, restrições ou exercícios em excesso. Esse ciclo mantém o paciente preso entre o controle e a perda de controle”, pontua a nutricionista.


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Da culpa à autonomia alimentar

Dietas muito rígidas costumam dividir os alimentos entre permitidos e proibidos e transformar qualquer saída do planejamento em sinal de fracasso. Nesse contexto, uma refeição fora do previsto pode levar ao abandono de todo o processo e reforçar a ideia de falta de disciplina ou força de vontade.

“O paciente não fracassa porque comeu uma pizza ou participou de uma confraternização. O método falha quando ensina que uma única escolha apaga tudo o que já foi construído. Autonomia é compreender o que aconteceu, fazer a próxima escolha sem punição e continuar se cuidando”, esclarece Mari.

A nutricionista explica que autonomia alimentar não significa comer sem critérios ou ignorar necessidades clínicas. O processo envolve reconhecer sinais de fome e saciedade, compreender gatilhos emocionais, organizar a rotina e aprender a tomar decisões com flexibilidade.

Preferências pessoais, cultura, orçamento e vida social também precisam ser considerados para que as orientações nutricionais sejam compatíveis com a realidade de cada pessoa.

Sobre Mari Escobar

Mari Escobar é nutricionista, formada há 20 anos e pós-graduada em Gastronomia Funcional. É empresária há uma década e fundadora da Casa L’amary, empresa de refeições saudáveis congeladas sediada em Ribeirão Preto (SP).

Atualmente, assume a área de nutrição da Forma Fina, clínica de estética e saúde, com atuação voltada à saúde da mulher e à longevidade.


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Escrito por:

Helo Pedrosa

Colunista HP

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Heloísa Pedrosa

Heloísa Pedrosa

Colunista e Fundadora
Apresentadora do programa Heloisa Pedrosa, do PodHelô Cast e Ideias de Sucesso. Palestrante e Digital Influencer.

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