Helô de olho em Ribeirão Preto
As chamadas canetas emagrecedoras vêm ganhando espaço no tratamento da obesidade e do diabetes, mas seus efeitos também despertam interesse pelos benefícios cardiometabólicos associados à perda de peso e ao controle de fatores de risco cardiovascular. Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida podem integrar estratégias de tratamento para pacientes com obesidade e doenças vasculares, desde que haja indicação e acompanhamento médico.
Entre os medicamentos mais conhecidos estão a semaglutida, que atua nos receptores de GLP-1, e a tirzepatida, que age simultaneamente nos receptores de GIP e GLP-1.
Estudos de grande porte já demonstraram benefícios cardiovasculares em grupos específicos de pacientes. No estudo SELECT, por exemplo, a semaglutida reduziu em 20% o risco de um desfecho composto por morte cardiovascular, infarto não fatal ou acidente vascular cerebral (AVC) não fatal em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular previamente estabelecida, mesmo na ausência de diabetes.
Para o angiologista e cirurgião vascular Dr. Marcelo Soeiro, da Clínica Soeiro e Antoniazzi, em Ribeirão Preto, esses avanços também têm repercussão no cuidado de pacientes com obesidade associada a doenças venosas crônicas, varizes, lipedema e alterações metabólicas.
“Esses medicamentos trouxeram uma ferramenta muito importante para o tratamento da obesidade e de suas repercussões metabólicas. Além da perda de peso, podemos observar melhora do controle glicêmico, da resistência à insulina e de diferentes parâmetros cardiometabólicos. Para o paciente vascular, controlar obesidade, diabetes e outros fatores de risco é uma parte importante do cuidado global”, explica o médico.
Obesidade e doenças venosas: qual é a relação?
A obesidade está entre os fatores associados ao desenvolvimento e à progressão da doença venosa. De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), as varizes apresentam prevalência média de aproximadamente 38% na população brasileira, atingindo cerca de 30% dos homens e 45% das mulheres.
A frequência aumenta progressivamente com a idade e pode chegar a aproximadamente 70% entre pessoas com mais de 70 anos. Entre os principais fatores de risco estão predisposição familiar, sexo feminino, avanço da idade, obesidade e número de gestações.
Segundo Soeiro, a obesidade não deve ser analisada apenas pelo peso corporal, mas como uma condição que pode produzir diferentes repercussões metabólicas e cardiovasculares. A redução de peso e a melhora de parâmetros como o controle glicêmico e a resistência à insulina podem contribuir para uma abordagem mais ampla da saúde desses pacientes.
“Na prática, não tratamos apenas uma veia ou uma variz isoladamente. É importante olhar o paciente como um todo. Quando conseguimos controlar obesidade e alterações metabólicas associadas, estamos atuando sobre fatores que interferem na saúde cardiovascular e também podem dificultar a evolução de pacientes com doenças venosas e lipedema”, afirma.
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Canetas emagrecedoras não substituem o tratamento vascular
Apesar dos benefícios associados ao controle da obesidade e de fatores metabólicos, os medicamentos não substituem a avaliação individualizada, a atividade física, a alimentação adequada nem o tratamento específico das doenças vasculares.
O médico ressalta que as canetas emagrecedoras não são um tratamento direto para varizes e que seu uso deve considerar a indicação clínica, os benefícios, os riscos e o acompanhamento adequado.
“As canetas não são uma solução mágica e também não são um tratamento direto para varizes. São ferramentas importantes quando corretamente indicadas e utilizadas dentro de uma estratégia médica bem definida. Cada paciente precisa ser avaliado individualmente, considerando indicação, benefícios, riscos e acompanhamento adequado”, conclui.
Sobre o especialista — Dr. Marcelo Soeiro
Marcelo Soeiro é angiologista e cirurgião vascular, com formação em Cirurgia Geral e Cirurgia Vascular e atuação em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Endovascular. Trabalha com foco em flebologia, tratamento de varizes e doença venosa crônica, lipedema e procedimentos minimamente invasivos, incluindo laser endovenoso, laser transdérmico e escleroterapia.
Sobre a Clínica Soeiro e Antoniazzi
Localizada na Avenida Carlos Consoni, em Ribeirão Preto, a Clínica Soeiro e Antoniazzi conta com estrutura multidisciplinar, seis consultórios, sala de procedimentos e área de recuperação, além de ambientes destinados ao atendimento adulto e pediátrico.
A equipe reúne profissionais das áreas de Angiologia e Cirurgia Vascular, Pediatria, Nutrologia, Cardiologia, Ultrassonografia, Nutrição e Fisioterapia.


