Helô de olho em Ribeirão Preto
O Sudeste pode registrar 15.430 novos casos anuais de câncer de colo do útero, endométrio e ovário entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número representa aumento de 11,5% em relação à projeção para o triênio anterior, de 2023 a 2025, quando eram estimados 13.830 novos diagnósticos por ano na região.
Em todo o Brasil, a estimativa para o período de 2026 a 2028 é de 36.980 novos casos anuais dos três tipos de câncer.
Os dados ganham destaque durante o Setembro em Flor, campanha promovida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) para ampliar a conscientização sobre os cânceres ginecológicos. Embora atinjam órgãos do sistema reprodutor feminino, essas doenças apresentam fatores de risco, formas de prevenção e sinais diferentes.
Prevenção e atenção aos sintomas
No câncer do colo do útero, a vacinação contra o HPV e o exame preventivo têm papel importante. A vacina atua sobre o principal fator relacionado ao desenvolvimento da doença, enquanto o rastreamento pode identificar alterações no colo uterino antes de uma possível evolução para o câncer.
Nos casos de câncer de ovário e endométrio, a atenção aos sinais do organismo é um dos principais alertas. Sangramentos vaginais anormais, aumento persistente do volume abdominal, desconforto ou dor pélvica e outras alterações que permanecem ao longo do tempo devem ser investigados.
“Quando falamos em tumores ginecológicos, precisamos olhar para a saúde da mulher como um todo. Há situações em que conseguimos atuar diretamente na prevenção e outras em que reconhecer uma alteração e procurar avaliação médica pode contribuir para uma investigação mais rápida”, afirma o oncologista Diocésio Andrade, membro fundador do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).
Fatores de risco variam entre os tumores
Os fatores associados às doenças também são diferentes. A obesidade está relacionada ao aumento do risco de câncer de endométrio. Já alterações genéticas hereditárias têm papel relevante em parte dos casos de câncer de ovário.
No câncer do colo do útero, a infecção persistente por tipos de alto risco do HPV está diretamente relacionada ao desenvolvimento da doença.
Por isso, segundo o especialista, as estratégias de cuidado precisam considerar as características de cada tumor.
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Tratamentos também avançaram
Além da prevenção e do diagnóstico, os últimos anos registraram avanços no tratamento dos tumores ginecológicos, com medicamentos que atuam de forma mais direcionada sobre características específicas da doença.
No câncer de ovário, estão entre essas possibilidades os inibidores da enzima PARP, como olaparibe e niraparibe. Segundo Diocésio Andrade, esses medicamentos são utilizados em determinados grupos de pacientes e interferem na capacidade das células tumorais de reparar danos no próprio DNA.
A imunoterapia também passou a fazer parte do tratamento de alguns casos de câncer de endométrio e de colo do útero. A estratégia busca estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais e pode ser indicada conforme as características da doença e da paciente.
Informação faz parte do cuidado
Apesar dos avanços nos tratamentos, medidas de prevenção e acompanhamento continuam importantes. Entre elas estão a vacinação contra o HPV, o acompanhamento ginecológico, a atenção a alterações persistentes no organismo, a manutenção de hábitos de vida saudáveis e o conhecimento do histórico familiar.
“Não existe uma única estratégia que sirva para todos os cânceres ginecológicos. Temos tumores para os quais dispomos de ferramentas importantes de prevenção, outros em que os sintomas precisam receber atenção e, ao mesmo tempo, tratamentos que avançaram muito nos últimos anos”, completa Andrade.