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Você fotografa para lembrar ou por medo de esquecer?

Helô de olho em Ribeirão Preto

Fotografar momentos faz parte da rotina de muita gente, especialmente com a facilidade proporcionada pelo celular. Mas será que estamos registrando para guardar lembranças ou também para aliviar o medo de esquecer? A psiquiatra e psicoterapeuta Renata Covre, da Hapvida, que também atua como fotógrafa, explica que o ponto de atenção não está na quantidade de fotos, mas na função que esse comportamento ocupa na vida da pessoa.

Segundo a especialista, fotografar pode ser uma forma saudável de preservar experiências e até ampliar a capacidade de observar detalhes. O alerta aparece quando o registro deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como uma necessidade para aliviar ansiedade, insegurança ou sensação de falta de controle.

Em situações assim, a fotografia pode entrar em um ciclo: surge uma dúvida ou desconforto, a pessoa registra ou confere algo para se sentir segura, experimenta alívio e, posteriormente, sente novamente necessidade de repetir o comportamento. “Se eu fotografo porque quero guardar uma lembrança, é algo. Se eu fotografo para aliviar uma ansiedade, pensando ‘se eu não registrar, algo de ruim pode acontecer’, já existe uma função diferente”, explica Renata.

Quando registrar tira espaço de viver

Existe ainda um paradoxo nessa relação com as imagens. Na tentativa de garantir uma lembrança futura, a pessoa pode acabar prestando menos atenção ao momento presente. Em um show, por exemplo, é possível passar boa parte da experiência escolhendo enquadramentos, gravando vídeos e conferindo registros, enquanto a atenção se distancia do que está acontecendo.

“Para formar uma memória, primeiro a gente precisa estar minimamente presente e prestar atenção naquela experiência”, afirma a médica.

Ao mesmo tempo, a fotografia pode ser uma importante pista para recuperar lembranças. A diferença, segundo Renata, está na liberdade de escolha: conseguir decidir quando vale registrar e quando é melhor simplesmente viver a experiência.


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O excesso de registros também pode esconder o essencial

A facilidade para fotografar fez crescer também o volume de imagens armazenadas nos celulares. São milhares de registros que, muitas vezes, nunca mais são revisitados.

Para a especialista, selecionar fotografias, organizar álbuns, imprimir algumas imagens ou revê-las com outras pessoas pode transformar esse arquivo em algo mais significativo. Além disso, nem toda memória é visual. Conversas, cheiros, músicas e sensações também fazem parte das experiências que construímos.

Quando procurar ajuda?

Fotografar muito, por si só, não significa ansiedade ou transtorno psicológico. O sinal de atenção está na combinação entre sofrimento, prejuízo na rotina e perda de liberdade para escolher.

A orientação é buscar ajuda quando a pessoa fica muito angustiada por não conseguir registrar ou conferir algo, perde tempo excessivo fotografando, organizando ou checando imagens, enfrenta conflitos ou atrasos por causa desse comportamento ou percebe que precisa repeti-lo para aliviar a ansiedade.

A reflexão proposta pela especialista é simples: a câmera pode ajudar a preservar aquilo que vivemos, mas não deveria nos impedir de viver. Como resume Renata, o equilíbrio está em conseguir escolher entre registrar e simplesmente estar presente.


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Escrito por:

Helo Pedrosa

Colunista HP

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