Projeto Arte e Ginga promoveu dois dias de atividades gratuitas na EEFERP-USP, unindo esporte, educação, musicalidade e valorização da ancestralidade por meio da capoeira
A capoeira voltou a ocupar lugar de destaque em Ribeirão Preto durante a 6ª edição do Projeto Arte e Ginga, que promoveu, nos dias 26 e 27 de junho, um workshop gratuito reunindo mais de 250 participantes entre crianças, adolescentes e adultos. As atividades aconteceram na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP) e proporcionaram uma imersão em uma das mais importantes manifestações culturais brasileiras, reconhecida por integrar esporte, arte, educação e patrimônio cultural.
Durante os dois dias de programação, praticantes experientes, iniciantes e pessoas interessadas em conhecer mais sobre a capoeira participaram de aulas, vivências e apresentações conduzidas por mestres convidados de diferentes regiões do país. Além da prática corporal, o workshop promoveu momentos de aprendizado sobre a história da capoeira, sua musicalidade, seus instrumentos e sua contribuição para a preservação da cultura afro-brasileira.
Muito além do aspecto esportivo, o encontro reforçou o papel da capoeira como ferramenta de transformação social, inclusão, fortalecimento da autoestima e formação cidadã, aproximando diferentes gerações em um ambiente marcado pelo respeito, pela convivência e pela troca de experiências.
Capoeira como instrumento de transformação social
Ao longo da programação, os participantes tiveram contato com fundamentos técnicos da capoeira, exercícios de movimentação, rodas, cantos tradicionais e práticas ligadas à musicalidade, elementos que fazem parte da essência dessa manifestação cultural reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Os encontros também promoveram a integração entre grupos de diferentes cidades, permitindo que mestres, professores, alunos e praticantes compartilhassem conhecimentos, histórias e experiências construídas ao longo de suas trajetórias dentro da capoeira.
Para o Mestre Coruja, que participou do evento vindo da capital paulista, a capoeira representa uma poderosa ferramenta de transformação humana e social.
“Foi por meio da capoeira que encontrei um propósito de transformar outras vidas, principalmente de crianças e jovens das periferias. Mais do que uma prática corporal, ela fortalece a autoestima, revela talentos e oferece novas perspectivas de vida. A capoeira nasceu como uma arte de libertação e continua cumprindo esse papel até hoje”, afirma.
Cultura afro-brasileira fortalece identidade e pertencimento
Além das atividades ligadas diretamente à capoeira, o workshop também abriu espaço para outras manifestações da cultura afro-brasileira. Um dos destaques da programação foi a aula de dança africana ministrada pela Mestra Negatana, que conduziu uma reflexão sobre ancestralidade, identidade cultural e valorização das tradições populares.
Segundo ela, iniciativas como o Projeto Arte e Ginga desempenham papel fundamental na formação das novas gerações ao aproximar crianças e jovens de expressões culturais que fazem parte da história do Brasil.
“A cultura popular é uma ponte para a educação. Quando levamos essas manifestações para crianças e jovens, especialmente em comunidades mais vulneráveis, também levamos disciplina, pertencimento e conhecimento sobre a própria história. Nem todos seguirão na capoeira, mas todos podem se tornar cidadãos mais conscientes e respeitosos com a diversidade cultural”, destaca.
A mestra também ressaltou que ações desse tipo ajudam a combater preconceitos históricos, fortalecem o reconhecimento da cultura afro-brasileira e ampliam o acesso da população às manifestações que compõem a identidade nacional.
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Projeto nasceu da transformação de uma vida
Idealizador do Projeto Arte e Ginga, o Mestre Tigrin relembrou que sua própria trajetória começou ainda na infância, em um projeto social de capoeira desenvolvido na periferia da zona sul de São Paulo. Segundo ele, a experiência foi determinante para sua formação pessoal e profissional, tornando-se a principal inspiração para criar uma iniciativa que hoje atende gratuitamente centenas de pessoas.
“Eu sou resultado de um projeto social. Foi na capoeira que aprendi sobre perseverança, respeito, educação e disciplina. Hoje, o Projeto Arte e Ginga representa uma forma de devolver para a sociedade tudo aquilo que recebi. A capoeira ensina muito mais do que movimentos: ela forma cidadãos, fortalece valores e mostra para crianças e jovens que eles podem construir novos caminhos para suas vidas”, afirma.
Para o mestre, ampliar o acesso gratuito à prática da capoeira significa investir em inclusão, cidadania e preservação cultural, especialmente entre crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Projeto amplia acesso à cultura e fortalece comunidades
Ao longo de sua programação, o workshop também reforçou valores como respeito às diferenças, convivência coletiva, disciplina, responsabilidade e valorização da ancestralidade afro-brasileira. O ambiente proporcionou encontros entre praticantes de diferentes idades e níveis técnicos, fortalecendo vínculos e incentivando a continuidade da prática esportiva e cultural.
Mais do que ensinar golpes e movimentos, a iniciativa busca preservar uma tradição construída ao longo de séculos, mantendo vivos conhecimentos transmitidos entre gerações e contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes da diversidade cultural brasileira.
Sobre o Projeto Arte e Ginga
Criado em 2015, o Projeto Arte e Ginga desenvolve atividades gratuitas voltadas à valorização da cultura afro-brasileira por meio da capoeira e de outras manifestações tradicionais, como maculelê e samba de roda. Realizado por meio do Programa de Ação Cultural (PROAC), em parceria com a Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, o projeto atende gratuitamente moradores de Ribeirão Preto, Jardinópolis e Cajuru, promovendo inclusão social, educação, esporte e preservação do patrimônio cultural brasileiro.