Shopping também pode ser espaço de encontro, movimento e cultura. E essa retomada de atividades gratuitas no centro da cidade é um bom exemplo disso. A partir de janeiro, o ShoppingSantaÚrsula volta a oferecer uma programação semanal de atividades gratuitas na Sala Clara Cauchick, em parceria com a Secretaria da Cultura e Turismo de Ribeirão Preto. A agenda inclui ações de bem-estar, música, dança e leitura, abertas ao público e voltadas para diferentes faixas etárias. Às terças-feiras, a programação começa com ginástica adaptada para idosos, às 9h, seguida de canto coral, às 10h. No período da noite, às 18h30, acontece a atividade musical com a Lyra Orchestra. Veja também: Evento na Acirp debate reforma tributária e mercado imobiliário HELÔ TE CONTA DE SERTÃOZINHO Já às quintas-feiras, o espaço recebe novamente aula de ginástica às 9h e, na sequência, oficina de memorização para idosos, às 10h. Nos dias 22 e 29 de janeiro, também estão previstas aulas de forró, às 18h, para quem gosta de mexer o corpo e aprender novos passos. Além disso, no dia 24 de janeiro, a Sala Clara Cauchick recebe um encontro do clube de leitura, às 15h, ampliando a proposta de convivência e estímulo à leitura. A ideia do projeto é usar o espaço como ponto de acesso à cultura e ao bem-estar, principalmente para quem mora ou trabalha na região central e busca atividades gratuitas e próximas de casa. A Sala Clara Cauchick fica no Piso 2 do ShoppingSantaÚrsula e, para participar, não é necessário fazer inscrição prévia. Basta chegar no horário da atividade escolhida e participar. É aquele tipo de iniciativa que mostra como a cidade pode ser mais viva quando os espaços são usados para além das compras. 👉 Você já participou de alguma atividade cultural dentro de shopping ou acha que esse tipo de ação ainda é pouco divulgado? 📍 Serviço — Atividades na Sala Clara Cauchick 📍 Local: Piso 2 — ShoppingSantaÚrsula Terças-feiras Quintas-feiras Datas especiais 🎟 Participação: gratuita, sem necessidade de inscrição
Luiz Puntel e a força da literatura juvenil como memória e resistência
PodHelô entrevista autor durante a Feira do Livro de Ribeirão Preto 2025 Neste episódio especial do PodHelô, gravado durante a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto 2025, Heloisa Pedrosa recebeu um dos nomes mais importantes da literatura juvenil brasileira: Luiz Puntel, escritor, educador e autor de obras que marcaram gerações. A conversa percorreu infância, formação, educação pública, mercado editorial e o papel social da literatura. Além disso, trouxe reflexões sobre memória, ditadura, desigualdade e o futuro da educação no Brasil. Infância, bibliotecas e o início da relação com os livros Luiz Puntel nasceu em Ribeirão Preto e cresceu em uma família numerosa, onde a leitura fazia parte da rotina. Na época, o acesso a livros era limitado. Por isso, a biblioteca pública teve papel decisivo em sua formação. Ainda jovem, frequentava a antiga Biblioteca Altino Arantes, hoje Biblioteca Sinhá Junqueira. Ali, teve contato com diferentes obras e desenvolveu o hábito da leitura, antes mesmo da popularização da televisão. Além disso, professores atentos perceberam sua facilidade com a escrita. O incentivo em sala de aula foi essencial para que ele acreditasse no próprio talento. A escola como espaço de formação e descoberta O autor relembra com carinho professores que reconheceram sua habilidade para escrever. Esse reconhecimento foi decisivo. Afinal, quando um educador valida o potencial de um aluno, abre portas para novas possibilidades. Com o tempo, Puntel passou a participar de concursos literários e publicações em revistas. Aos poucos, acumulou textos e decidiu enviá-los para editoras. O “não” já existia. Faltava buscar o “sim”. Foi assim que surgiu o contato com a Editora Ática, referência nacional. O primeiro livro publicado foi uma coletânea de contos. A boa recepção abriu caminho para novos projetos. A chegada à Coleção Vagalume e o alcance nacional Depois do primeiro sucesso, surgiu o convite para integrar a histórica Coleção Vagalume, responsável por formar gerações de leitores no Brasil. Na época, os livros eram amplamente adotados em escolas. Obras como “Deus Me Livre” e, depois, “Açúcar Amargo” ganharam espaço nas salas de aula. Com isso, Puntel passou a dialogar diretamente com o público juvenil em todo o país. A circulação nacional consolidou seu nome na literatura juvenil. No entanto, o autor sempre manteve forte ligação com a educação. Menino sem Pátria: literatura e memória política Um dos livros mais conhecidos de Luiz Puntel é “Menino sem Pátria”. A obra nasceu a partir de relatos reais de famílias que viveram o exílio durante a ditadura militar brasileira. O autor se inspirou em depoimentos de mulheres exiladas. A partir dessas histórias, criou personagens e construiu a narrativa de um menino obrigado a deixar o país por motivos políticos. Na época, não havia internet. Toda a pesquisa era feita por meio de jornais, livros e entrevistas. Mesmo assim, o romance alcançou grande impacto e segue atual. Segundo Puntel, falar sobre ditadura, exílio e injustiça continua necessário. Afinal, memória também é uma forma de resistência. Temas sociais como parte da literatura juvenil Além da ditadura, outras questões sociais atravessam a obra do autor. Entre elas estão: Esses temas aparecem em livros como “Açúcar Amargo” e “Tráfico de Anjos”. Para o escritor, a literatura juvenil não deve se limitar a histórias leves. Pelo contrário, ela pode provocar reflexão e consciência social. Segundo ele, escrever sobre o que acontece na realidade é parte do compromisso do autor com o leitor. Escritor e educador: dois papéis que se completam Luiz Puntel também atua há décadas como professor de redação e oratória. Muitos alunos o procuram para se preparar para vestibulares e concursos. Durante as aulas, ele trabalha leitura, interpretação e argumentação. Para ele, escrever bem não é dom. É prática, método e estímulo. Além disso, acredita que quando o aluno escreve por prazer, e não apenas por obrigação, nasce ali um possível escritor, jornalista ou comunicador. Por isso, educação e literatura caminham juntas em sua trajetória. Projeto Combinando Palavras e protagonismo juvenil Durante a Feira do Livro, Puntel participou do projeto Combinando Palavras, que aproxima autores de estudantes. Antes dos encontros, os alunos trabalham os livros em sala de aula. No dia do evento, os estudantes apresentam: Segundo o autor, esse contato direto transforma a leitura em experiência viva. Além disso, fortalece a identidade dos jovens como produtores de cultura, não apenas consumidores. Para ele, esse tipo de projeto reforça o valor da literatura dentro das escolas. Veja também: Ribeirão Preto em destaque: iluminação pública, Brasil Awards e histórias que inspiram a cidade Museu da Memória Italiana tem oficinas e tour nas férias Valorização dos autores locais e acesso à cultura Durante o episódio, também foi discutida a importância de valorizar escritores da própria cidade. Muitas vezes, o público reconhece mais facilmente nomes de fora. No entanto, quando escolas, eventos e projetos destacam os autores locais, o público passa a enxergar valor no que é produzido perto de casa. Para Puntel, divulgação e acesso são fundamentais. Sem isso, bons trabalhos permanecem invisíveis. Futuros possíveis: seguir caminhando O tema da Feira do Livro de 2025 foi “Futuros Possíveis”. Ao final da conversa, Puntel refletiu sobre esse conceito. Para ele, futuro não é destino fixo. É movimento. Mesmo que ideais de justiça e igualdade pareçam distantes, é preciso continuar caminhando. Aos 76 anos, ele afirma que segue escrevendo, ensinando e acreditando na educação. Afinal, cada leitor alcançado já é uma transformação em curso. Literatura como instrumento de transformação social O episódio do PodHelô reforça que livros não são apenas entretenimento. Eles também formam pensamento crítico, ampliam repertório e fortalecem a cidadania. Ao contar histórias baseadas em fatos sociais e políticos, Luiz Puntel contribui para que jovens compreendam o passado e reflitam sobre o presente. Assim, a literatura cumpre um papel essencial na construção de futuros mais conscientes. 📌 Conteúdo gravado durante a 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto Episódio completo disponível no PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa Participantes:• Luiz Puntel — Escritor e educador, autor de Menino sem Pátria e Açúcar Amargo• Heloisa Pedrosa — Apresentadora do PodHelô Instagram do convidado: @luczel
Exposição no MARP pode ser visitada só até dia 16
Sabe aquele tipo de programa que faz a gente sair do automático e olhar a cidade — e a vida — com mais atenção? Essa é uma dessas oportunidades, e já está nos últimos dias. A exposição “Paisagem, mero artifício”, das artistas visuais Aline Moreno e Corina Ishikura, está em cartaz no MARP — Museu de Arte de Ribeirão Preto e pode ser visitada até o dia 16 de janeiro, com entrada gratuita. A mostra reúne 16 obras entre pintura, escultura, instalação e vídeo. As artistas propõem reflexões sobre natureza, urbanização, presença humana e transformação do território. Cinco das obras exibidas no MARP são inéditas. Ribeirão Preto em destaque: iluminação pública, Brasil Awards e histórias que inspiram a cidade Comunicação pública e confiança: desafios em Ribeirão Preto O trabalho de Aline Moreno transita entre fragmentos e grandes paisagens, brincando com escalas e horizontes. Ela usa pintura sobre madeira, relevos artificiais e composições que dialogam com a ideia de pedra, montanha e espaço construído. Já Corina Ishikura parte de mapas, imagens aéreas e dados urbanos para criar pinturas, instalações e vídeos que mostram como a sociedade ocupa — e transforma — os territórios. Materiais como madeira, carvão e cinzas aparecem justamente para marcar esse impacto humano na paisagem. A curadoria é assinada por Marina Frúgoli, com assistência de Letícia Castro e curadoria institucional de Nilton Campos, diretor do MARP. A proposta, segundo a curadoria, é fazer o visitante pensar em espaços que vão além da própria sala de exposição. A mostra integra o projeto Mensurando Horizontes, ligado ao PROAC — Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, e ainda prevê o lançamento de um livro com entrevistas, textos críticos e ensaios fotográficos sobre o projeto. 📍 Serviço É daquelas exposições que pedem tempo, silêncio e curiosidade. E, sinceramente, é um privilégio ter esse tipo de programação gratuita no centro da cidade. 👉 Quando foi a última vez que você entrou em um museu aqui em Ribeirão?


