Helô de olho em Ribeirão Preto

O diagnóstico precoce e o desenvolvimento de novas terapias estão ampliando as perspectivas de tratamento da doença de Alzheimer, uma das principais causas de demência no Brasil. Durante o Setembro Lilás, campanha de conscientização sobre a doença, especialistas destacam a importância da identificação dos primeiros sinais, do acompanhamento médico e do controle de fatores de risco.
Segundo dados do Ministério da Saúde citados pelo Grupo São Lucas, mais de 2 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no Brasil. A doença de Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% desses casos. Com o envelhecimento da população, a estimativa é que o número de pessoas com demência chegue a 5,7 milhões até 2050.
De acordo com o geriatra do Grupo São Lucas, Dr. Wilson Picco (CRM 169422 / RQE 79871), alterações persistentes de memória que começam a interferir nas atividades cotidianas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
“Se a gente percebe que uma pessoa lembra de tudo e em algum momento da vida começa a ter algum esquecimento mais consistente de algo que realmente atrapalha a sua rotina, como por exemplo tomar as medicações, comparecer a compromissos, pagar uma conta, realmente é um sinal de alerta”, explica.
O médico ressalta que outras condições, como depressão, ansiedade, deficiências de vitaminas e doenças da tireoide, também podem provocar alterações de memória. Por isso, a investigação inicial inclui a avaliação dessas possíveis causas antes de se estabelecer o diagnóstico de uma síndrome demencial.
Biomarcadores e novas terapias para o Alzheimer
Entre os avanços no diagnóstico estão os exames de biomarcadores, capazes de identificar alterações biológicas relacionadas à doença antes do aparecimento dos primeiros sintomas de declínio cognitivo.
Na área do tratamento, as terapias antiamiloides atuam em mecanismos associados à doença e buscam retardar sua progressão. Segundo o Dr. Wilson Picco, essas medicações representam uma mudança nas possibilidades terapêuticas, mas ainda apresentam limitações importantes.
“Anteriormente, a única medida que atrasava a doença era a atuação multidisciplinar com os vários profissionais envolvidos, como fisioterapia, terapia ocupacional, educação física, onde traziam estímulo cognitivo, entre outros, que acabavam atuando de forma decisiva para a evolução ser um pouco mais lenta. Mas essas novas drogas revolucionaram o tratamento, podendo reduzir muito a progressão da doença”, afirma.
O geriatra pondera que os medicamentos ainda apresentam efeitos colaterais relevantes e são indicados para grupos selecionados de pacientes. Ele também destaca o alto custo dos tratamentos, que dificulta o acesso de grande parte da população.
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Controle de fatores de risco e qualidade de vida
A identificação precoce da doença, aliada ao controle de fatores de risco, é apontada pelo especialista como parte importante do cuidado. Hipertensão, diabetes, sedentarismo e perda auditiva estão entre as condições que merecem atenção.
O envelhecimento da população brasileira também amplia a necessidade de serviços de saúde e de estruturas de atendimento capazes de acompanhar as pessoas com demência e oferecer suporte às famílias.
Atendimento multidisciplinar e instituições de longa permanência
O acompanhamento por equipes multidisciplinares e a manutenção do convívio social são aspectos destacados pelo médico para contribuir com a qualidade de vida de pessoas com Alzheimer.
Segundo Picco, instituições de longa permanência para idosos têm ampliado sua estrutura de atendimento e podem oferecer cuidado especializado, contato social e acompanhamento de diferentes profissionais.
“Algum lugar que possa oferecer esse contato social com mais pessoas, um cuidado especializado e, principalmente, a atuação de uma equipe multidisciplinar que saiba lidar com esse tipo de patologia pode contribuir para a melhor qualidade de vida e para reduzir a velocidade de evolução dessa doença”, conclui.
Sobre o Grupo São Lucas
Com sede em Ribeirão Preto, o Grupo São Lucas atua há mais de 50 anos na área da saúde e reúne o Hospital São Lucas, o Hospital São Lucas Ribeirania e o São Lucas Medicina Diagnóstica.
O grupo é administrado pela Hospital Care, holding de serviços de saúde formada por mais de 30 unidades entre hospitais e clínicas, distribuídas em sete cidades brasileiras.


