Helô de olho em Ribeirão Preto
O uso de biocombustíveis em novas frentes de transporte foi destaque no encontro do LIDE Agronegócio, realizado em 14 de agosto durante a Fenasucro & Agrocana 2026, em Sertãozinho. O primeiro abastecimento de um navio com etanol realizado no Brasil e o uso de biometano no transporte de açúcar foram apresentados como exemplos de aplicações voltadas à descarbonização.
Com o tema “Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo”, o encontro recebeu Jean-Paul Prates, ex-presidente da Petrobras e ex-senador da República, sócio da Altiva Inteligência Estratégica, head do LIDE Energia e chairman do CERNE; e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.
Henrique Araújo detalhou a operação realizada em julho deste ano, quando um navio com capacidade para transportar 13 mil contêineres recebeu 500 toneladas de etanol por meio de uma barcaça. Segundo ele, a iniciativa contribui para posicionar o Brasil como ponto de abastecimento de navios internacionais.
No transporte rodoviário, Araújo apresentou o Programa BioRota, da Copersucar, que utiliza biometano em 80 caminhões. De acordo com a empresa, os veículos já transportaram mais de um milhão de toneladas de açúcar das usinas até o Porto de Santos e terminais de transbordo, em uma iniciativa voltada à descarbonização do transporte.
“O Brasil não precisa escolher entre agronegócio, biocombustíveis e transição energética. Essas frentes podem avançar juntas e constituem ativos energéticos, ambientais e geopolíticos para o país”, afirmou Araújo.
Biocombustíveis ganham novas aplicações
Durante o encontro, Jean-Paul Prates relacionou o desenvolvimento agroindustrial da região ao avanço das aplicações dos biocombustíveis, especialmente em setores considerados de difícil eletrificação.
Segundo Prates, combustíveis para navios, SAF para a aviação e biometano utilizado em caminhões e corredores verdes de exportação estão entre as alternativas que podem contribuir para a descarbonização dos transportes.
“O Brasil tem uma matriz energética rica, com fontes fósseis e não fósseis abundantes e viáveis. Nosso desafio é combinar essas alternativas e aproveitar esse potencial da melhor maneira”, avaliou.
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Debate aproxima energia e agronegócio
Para Victor Bermudes, presidente do LIDE Ribeirão Preto, a discussão está diretamente relacionada à vocação econômica da região, marcada pela presença da agroindústria e pela produção de energia renovável.
“O encontro trouxe uma visão estratégica sobre as transformações do mercado de energia, ao colocar em perspectiva o papel do petróleo e o avanço do etanol, inclusive em novas aplicações, como a navegação”, afirmou.
Claudia Toniello, conselheira do LIDE Agronegócio, destacou ainda a importância de aproximar a discussão sobre transição energética da sociedade.
A programação apresentou experiências relacionadas ao uso de etanol e biometano e colocou em debate os caminhos da transição energética e a participação do agronegócio nesse processo.