Com o número de famílias endividadas em alta no Brasil, planejamento financeiro e orientação especializada ajudam a recuperar o equilíbrio das contas
O aumento do endividamento das famílias brasileiras tem acendido um alerta sobre a importância da educação financeira. Dados recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em maio de 2026, índice superior aos 78,2% registrados no mesmo período do ano anterior.
Nesse cenário, especialistas defendem que organização financeira, planejamento e uso consciente do crédito são passos fundamentais para quem deseja sair do vermelho e conquistar maior tranquilidade financeira.
É o que afirma André Sousa, consultor de investimentos e previdência do Sicoob Cooperac, que conhece o tema também pela experiência pessoal.
Segundo ele, antes de orientar outras pessoas, precisou reorganizar a própria vida financeira após enfrentar dificuldades provocadas pela falta de planejamento.
“Muitas pessoas acreditam que investir é o primeiro passo para conquistar uma vida financeira mais tranquila, mas, na verdade, tudo começa com organização. Antes de pensar em aplicações, é fundamental entender para onde o dinheiro está indo, controlar os gastos e construir um planejamento compatível com a realidade de cada família.”
Cartão de crédito lidera as dívidas
De acordo com a pesquisa da CNC, o cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de endividamento das famílias brasileiras, presente em 84,6% dos lares com dívidas.
Na sequência aparecem os carnês, o crédito pessoal, os financiamentos imobiliários, os financiamentos de veículos e o crédito consignado.
Para André Sousa, o crescimento do uso do crédito está diretamente relacionado ao aumento do custo de vida e à necessidade de muitas famílias recorrerem a empréstimos para manter o consumo ou reorganizar o orçamento.
Segundo o especialista, a educação financeira permite que o consumidor recupere o equilíbrio das contas e, posteriormente, consiga formar uma reserva financeira.
“Quando existe educação financeira, disciplina e o apoio de uma instituição financeira que orienta de forma próxima e responsável, é possível sair do endividamento, recuperar o equilíbrio e, aos poucos, criar uma reserva, realizar objetivos e construir patrimônio com segurança. Investir deixa de ser um sonho distante e passa a ser uma consequência de boas escolhas financeiras.”
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Estresse financeiro afeta milhões de brasileiros
Além do aumento das dívidas, outro levantamento citado pelo consultor, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), aponta que 47% dos brasileiros convivem com elevado nível de estresse financeiro.
O estudo também revela que um terço da população gasta mais do que ganha, enquanto o crescimento das apostas online passou a representar um novo fator de pressão sobre o orçamento familiar.
Segundo a pesquisa, 17% dos brasileiros realizaram apostas pela internet em 2025, sendo que mais de um terço dos apostadores afirma gastar R$ 100 ou mais por mês com esse tipo de atividade.
Os impactos são mais intensos entre mulheres, pessoas com idade entre 30 e 64 anos e famílias de menor renda, que apresentam maior dificuldade para formar patrimônio e criar uma reserva de emergência.
Para André Sousa, esses indicadores demonstram que cuidar da saúde financeira também significa investir em qualidade de vida.
“O levantamento demonstra que, embora exista maior preocupação com o controle dos gastos, milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para equilibrar receitas e despesas, situação que afeta diretamente o bem-estar, a saúde mental e a capacidade de investir no futuro.”
Cursos gratuitos de educação financeira
Como forma de ampliar o acesso ao conhecimento financeiro, o Instituto Sicoob disponibiliza gratuitamente a plataforma Se Liga Finanças, com cursos voltados para finanças pessoais, gestão financeira para microempreendedores e investimentos.
Os conteúdos são gratuitos, utilizam linguagem acessível e oferecem atividades práticas para quem deseja organizar o orçamento, reduzir o endividamento e tomar decisões financeiras mais conscientes.