Dinheiro, emoção e responsabilidade: por que organizar as finanças é questão de sobrevivência
Artigo com contribuições de Francini Policarpo e Simone Varela
Conteúdo editorial baseado em entrevista concedida ao PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa
Dinheiro não é apenas número. É emoção, decisão e responsabilidade. Quando ele não é bem cuidado, o preço aparece — nos negócios, na família e na vida pessoal. Essa foi a tônica da conversa que reuniu Francini Policarpo, consultora financeira, e Simone Varela, especialista em BPO financeiro, no PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa.
Ao longo do episódio, as especialistas abordaram finanças sem romantização, tratando o tema como ele é: uma área que exige técnica, planejamento e, principalmente, mudança de comportamento.
Da intuição ao controle: quando o amor pelo negócio já não é suficiente
Muitos empreendedores começam suas empresas movidos por paixão, talento e esforço. No entanto, chega um momento em que isso já não basta. Sem controle financeiro, mesmo negócios que faturam bem podem sangrar silenciosamente.
Francini Policarpo viveu esse ponto de virada quando decidiu vender uma empresa antes da pandemia. Foi ali que percebeu que, apesar do sucesso operacional, não tinha clareza real sobre números, rentabilidade e estratégia financeira. A partir dessa experiência, buscou formação técnica, MBA em finanças corporativas, certificações e passou a atuar de forma profissional no mercado financeiro.
Segundo ela, um dos maiores erros do empreendedor é confundir dedicação com gestão. Amor pelo negócio é essencial, mas sem leitura fria dos números, não há crescimento sustentável.
Técnica e humanidade: o diferencial no cuidado com o dinheiro
Simone Varela traz uma trajetória marcada pela engenharia, processos e grandes empresas, mas percebeu que faltava algo essencial: compreender o ser humano por trás dos números.
Por isso, buscou formações em coaching, psicoterapia e bioenergética, integrando o racional à dimensão emocional do empreendedor. Essa combinação permitiu criar uma abordagem em que os processos financeiros são ajustados junto com a mentalidade e o comportamento do empresário.
A lógica é simples: não adianta implementar controles, relatórios e indicadores se o empreendedor não está preparado para mudar rotinas, delegar e confiar em dados para tomar decisões.
Mulheres, dinheiro e a quebra de crenças culturais
Durante muito tempo, o dinheiro foi tratado como território masculino. Ainda hoje, muitas mulheres empreendem, mas deixam a gestão financeira nas mãos de parceiros ou familiares.
Francini e Simone observam que isso tem mudado, impulsionado por grupos de empreendedorismo feminino e maior acesso à educação financeira. No entanto, crenças antigas ainda impactam decisões, precificação e expansão dos negócios.
Elas defendem que a mulher precisa se sentir capaz de gerir não apenas o próprio dinheiro, mas também o da empresa. Afinal, autonomia financeira é parte fundamental da liberdade e da segurança.
Consultoria financeira: olhar 360º sobre a vida e os negócios
A consultoria financeira não se resume a investimentos. Ela começa pelo básico: entender quanto se ganha, quanto se gasta, quais são os compromissos, quais riscos existem e quais objetivos precisam ser alcançados.
A partir desse diagnóstico, é possível construir estratégias que envolvem:
- organização do orçamento
- reserva de emergência
- planejamento de aposentadoria
- diversificação de investimentos
- proteção de riscos
Cada pessoa e cada empresa exigem soluções diferentes. Por isso, a consultoria é um processo, não uma conversa isolada.
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BPO financeiro: previsibilidade para quem precisa crescer
O BPO financeiro consiste na terceirização do setor financeiro da empresa. Na prática, significa tirar do empreendedor tarefas como:
- contas a pagar e a receber
- conciliação bancária
- organização de documentos
- geração de relatórios
- análise de indicadores
Com isso, o empresário passa a tomar decisões com base em dados confiáveis, e não apenas em percepções.
Além disso, o BPO permite que o empreendedor foque no que realmente gera valor: vendas, inovação e posicionamento de mercado. Sem previsibilidade financeira, qualquer planejamento estratégico vira aposta.
Autônomos e freelancers: como se proteger sem CLT
Quem não tem carteira assinada enfrenta desafios adicionais. Não há férias remuneradas, 13º salário nem proteção automática em casos de doença ou afastamento.
Por isso, é fundamental que autônomos e freelancers construam:
- reserva financeira
- previdência privada
- seguro de vida
- cobertura por incapacidade temporária
Essas ferramentas garantem que imprevistos não destruam a estabilidade conquistada. Planejamento financeiro, nesse caso, é sinônimo de proteção da própria dignidade.
Previdência e proteção: planejar o futuro é um ato de amor próprio
A expectativa de vida aumentou, mas a preparação financeira não acompanhou esse movimento. Muitos idosos hoje dependem de filhos, parentes ou assistência pública.
Segundo as especialistas, confiar apenas na previdência social é um risco. A alternativa está em planos privados, investimentos de longo prazo e construção consciente de patrimônio.
Além disso, seguros e estruturas de proteção evitam que famílias enfrentem colapsos financeiros em momentos de perda, doença ou afastamento do trabalho.
Sucessão patrimonial: quando a falta de planejamento vira conflito
Empresas familiares enfrentam um dos maiores desafios do mercado: a sucessão. Sem planejamento, a saída de um líder pode comprometer toda a estrutura do negócio.
Ferramentas como seguros patrimoniais, holdings e estratégias financeiras permitem:
- pagamento imediato de herdeiros
- manutenção da empresa em funcionamento
- contratação de gestores profissionais
- redução de conflitos familiares
A sucessão não é apenas um tema empresarial, mas também humano. Lidar com patrimônio em meio ao luto é uma das situações mais difíceis para qualquer família.
Casos reais: quando o financeiro muda destinos
Ao longo da atuação profissional, Francini e Simone relatam transformações profundas. Desde clínicas que quase fecharam e se tornaram negócios prósperos até empresas que, após organização financeira, conseguiram investir, contratar e crescer.
Esses casos mostram que números não servem apenas para apontar problemas, mas para abrir caminhos. Quando bem usados, eles oferecem clareza e devolvem ao empreendedor o controle sobre o próprio futuro.
Dinheiro é comportamento antes de ser matemática
Mais do que planilhas, falar de dinheiro é falar de hábitos, medos, impulsos e crenças. Por isso, mudar a relação com as finanças exige também mudança interna.
Muitos empresários trabalham demais, resistem a delegar e acreditam que precisam fazer tudo sozinhos. Esse comportamento, além de desgastante, limita o crescimento.
Organizar as finanças é, muitas vezes, o primeiro passo para organizar a vida.
Organizar dinheiro é garantir paz de espírito
No fim das contas, o objetivo não é apenas lucrar. É viver com menos ansiedade, mais segurança e maior liberdade de escolha.
Quando o dinheiro está organizado, decisões deixam de ser tomadas por medo e passam a ser guiadas por estratégia. Isso impacta negócios, família e qualidade de vida.
Como reforçado no episódio, organização financeira não é luxo. É sobrevivência, liberdade e paz de espírito.
📌 Este artigo é uma adaptação editorial de entrevista concedida ao PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa, com episódio completo disponível no YouTube.
Participações:
• Francini Policarpo — Consultora Financeira
• Simone Varela — Consultora & BPO Financeiro
• Apresentação: Heloisa Pedrosa