Helô de olho em Ribeirão Preto
O Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença é a neoplasia de maior incidência entre as mulheres brasileiras, representando aproximadamente 30% dos diagnósticos oncológicos femininos. O cenário reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da evolução dos tratamentos individualizados.
De acordo com o mastologista Rafael Pelorca, do Grupo São Lucas, o aumento dos registros está relacionado a fatores como envelhecimento populacional, mudanças nos hábitos de vida e no padrão reprodutivo, além da obesidade e do sedentarismo. A maior eficiência na detecção também contribui para o número de diagnósticos.
Outra preocupação é a ocorrência da doença em mulheres com menos de 40 anos. Como esse grupo está fora da faixa etária habitual do rastreamento populacional de rotina, o diagnóstico pode acontecer após o surgimento de sinais clínicos. Segundo o especialista, esses casos apresentam, com maior frequência, subtipos tumorais biologicamente mais agressivos ou associados a fatores genéticos hereditários.
Sinais de alerta vão além do nódulo na mama
O reconhecimento de alterações nas mamas é importante para buscar avaliação médica. Além de nódulos palpáveis, outros sinais precisam ser investigados, como inversão recente do mamilo, descamação, secreção sanguinolenta, alterações na pele com aspecto de casca de laranja, assimetrias progressivas e caroços na região das axilas.
“Alterações no mamilo como inversão recente, descamação ou secreção sanguinolenta, aparecimento de pele com aspecto de casca de laranja, assimetrias progressivas e até mesmo caroços na região da axila sem presença de nódulo mamário evidente, são sinais que frequentemente acabam sendo subestimados no dia a dia”, afirma Pelorca.
Essas alterações não significam necessariamente câncer, mas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Prevenção e rastreamento individualizados
A avaliação do risco considera fatores como histórico familiar, características do tecido mamário e hábitos de vida. Conforme o perfil de cada paciente, recursos como mamografia 3D, ressonância magnética e testes genéticos podem contribuir para definir a estratégia de acompanhamento.
O especialista ressalta que a escolha dos exames deve considerar o risco individual e a orientação médica. O acompanhamento periódico e o conhecimento das próprias mamas também ajudam a identificar mudanças que precisam de investigação.
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Tratamentos mais personalizados
Os avanços da medicina de precisão ampliaram as possibilidades de tratamento do câncer de mama. A definição da conduta leva em conta as características biológicas e moleculares do tumor, além de fatores clínicos individuais. Entre as alternativas disponíveis para determinados casos estão terapias-alvo, imunoterapia e medicamentos conjugados a anticorpos.
“O foco do tratamento deixou de considerar isoladamente o porte da cirurgia para se voltar à biologia molecular do tumor, permitindo o uso de terapias-alvo, imunoterapia e drogas conjugadas a anticorpos que atuam como mísseis guiados, aumentando expressivamente a resposta ao tratamento com menor toxicidade aos tecidos saudáveis”, explica o médico.
Na cirurgia, técnicas de oncoplastia e abordagens conservadoras podem permitir a retirada do tumor com preservação de parte da mama, quando clinicamente indicadas. A reconstrução mamária também pode ser considerada, inclusive no mesmo momento da cirurgia oncológica, conforme as condições de saúde e a decisão da paciente.
Essas possibilidades podem contribuir para a recuperação e a qualidade de vida, considerando também os impactos emocionais e funcionais do tratamento.
Acompanhamento médico e hábitos saudáveis
A prevenção envolve acompanhamento de saúde, rastreamento adequado ao perfil da mulher e atenção às alterações corporais. Entre os hábitos que contribuem para a saúde estão alimentação equilibrada, atividade física e redução do consumo de álcool.
“É muito importante que a mulher faça acompanhamento e exames de rotina, principalmente a partir dos 40 anos, com seu médico de confiança, tenha autoconhecimento das mamas e priorize um estilo de vida que inclua alimentação saudável, prática de exercícios, redução no consumo de álcool e, quando necessário, terapia de reposição hormonal”, conclui Pelorca.
A idade para iniciar os exames de rastreamento e a periodicidade devem seguir as recomendações aplicáveis a cada mulher, com orientação profissional.
Sobre o Grupo São Lucas
O Grupo São Lucas, de Ribeirão Preto, atua há mais de 50 anos na área da saúde e reúne o Hospital São Lucas, o Hospital São Lucas Ribeirânia e o São Lucas Medicina Diagnóstica. A instituição é administrada pela Hospital Care, holding de serviços de saúde com mais de 30 unidades entre hospitais e clínicas, distribuídas por sete cidades brasileiras.