Esse é um daqueles assuntos que parecem distantes, mas batem direto na vida da cidade. O Fórum das Entidades de Ribeirão Preto (FERP) reuniu o eixo de Contas Públicas para analisar a situação do Instituto de Previdência dos Municipiários de Ribeirão Preto (IPM) — e o diagnóstico acendeu um sinal de alerta.
Os dados apresentados apontam um desequilíbrio estrutural no Plano Financeiro, que concentra aposentados e pensionistas que ingressaram no serviço público até 29 de dezembro de 2011. O problema é simples de entender: o número de beneficiários cresce, enquanto o de contribuintes ativos diminui. Resultado? As contribuições já não cobrem os benefícios, exigindo aportes cada vez maiores do Tesouro Municipal.
A reunião contou com a presença do superintendente do IPM, Marcos Berzoti, e do contador Rogério Antonio da Silva, além de representantes de entidades como a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), Aescon-SP e o Sincomerciários de Ribeirão Preto.
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Os números impressionam. Em 2025, o aporte municipal ao plano chegou a cerca de R$ 329 milhões — quase o dobro do registrado em 2021, quando o valor foi de aproximadamente R$ 195,9 milhões. Sem medidas corretivas, a tendência é de crescimento contínuo, o que pode, inclusive, gerar restrições ao município na obtenção de crédito.
Heranças do passado e riscos futuros
Durante o encontro, também foram lembradas fragilidades históricas do IPM, como a existência de supersalários no passado e o uso indevido de recursos previdenciários para aquisição de patrimônio. Um dos episódios mais emblemáticos envolveu um acordo judicial que obrigou o município a remanejar cerca de R$ 68 milhões, após a utilização indevida de recursos em 2013. Hoje, segundo os participantes, há controles mais rígidos para evitar novas distorções.
O FERP reforçou posição contrária ao uso de venda de imóveis públicos ou receitas de capital para cobrir déficits. A avaliação é clara: isso enfraquece o patrimônio do município sem resolver a raiz do problema.
Onde entra a proposta de renda alternativa
Como caminho mais sustentável, o Fórum sugeriu a criação de fontes permanentes de receita, vinculadas ao IPM, sem alienar patrimônio público. Entre as possibilidades estão a exploração do Parque Permanente de Exposições por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP), naming rights ou concessões onerosas. A ideia é transformar ativos da cidade em geração contínua de recursos, ajudando a equilibrar o sistema previdenciário no longo prazo.
No fundo, o debate deixa uma mensagem importante: previdência municipal não é só um tema técnico. Ela impacta o orçamento, os investimentos e o futuro da cidade inteira.
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