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Comunicação pública e confiança: desafios em Ribeirão Preto

Comunicação pública como compromisso com a verdade e com as pessoas

Artigo de Luciana Oliveira, secretária municipal de Comunicação de Ribeirão Preto

Conteúdo editorial baseado em entrevista concedida ao PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa

Comunicar nunca foi apenas informar. Comunicar é assumir responsabilidade sobre o impacto das palavras, das decisões e dos silêncios. Em um cenário marcado por excesso de conteúdo, redes sociais aceleradas, crises frequentes e desinformação, a comunicação pública deixou de ser apenas uma área técnica da gestão para se tornar um dos principais pilares da relação entre governo e população.

Essa reflexão norteou a conversa que tive recentemente no PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa. A partir desse diálogo, compartilho aqui uma adaptação editorial dos principais temas que atravessam minha trajetória de mais de 25 anos na comunicação e, especialmente, minha experiência atual como secretária municipal de Comunicação de Ribeirão Preto.


Quando a comunicação deixa de ser carreira e passa a ser missão

Minha trajetória começou no jornalismo impresso, passou por assessorias de imprensa, agências e comunicação corporativa. Durante muito tempo, comunicar significava disputar espaço em jornais, revistas, rádio e televisão. Havia prazos, critérios editoriais e filtros claros.

Hoje, o cenário é completamente diferente. Todos produzem conteúdo. Todos opinam. Todos compartilham. Em poucos minutos, uma informação — verdadeira ou não — pode se espalhar e gerar consequências reais.

Foi nesse contexto que compreendi que comunicar bem deixou de ser apenas uma competência profissional. Tornou-se uma missão social. Especialmente quando se atua na gestão pública, onde a informação impacta diretamente o acesso da população a serviços, direitos e políticas públicas.


Comunicação pública é lidar com a vida real das pessoas

Na iniciativa privada, há planejamento, metas e previsibilidade. Já na comunicação pública, a realidade é outra. As demandas surgem a todo momento e, muitas vezes, estão ligadas a situações sensíveis: saúde, educação, segurança, obras, mobilidade e assistência social.

Cada decisão de comunicação precisa considerar o impacto real na vida das pessoas. Não se trata apenas de reputação institucional, mas de orientar, esclarecer e dar segurança à população.

Além disso, a gestão pública opera sob regras rígidas, com limites legais e administrativos que exigem ainda mais cuidado, precisão e responsabilidade na divulgação de informações.


Transparência como prática diária, não como discurso

Muito se fala em transparência, mas ela não acontece apenas quando tudo vai bem. Transparência se constrói principalmente nos momentos difíceis.

Na prática, isso significa explicar processos, reconhecer dificuldades, contextualizar decisões e responder dúvidas. Significa, também, compreender que o silêncio institucional abre espaço para ruídos e interpretações equivocadas.

Por isso, adotamos uma postura clara: falar, explicar e ouvir. Atender a imprensa, fortalecer canais oficiais e manter diálogo permanente com a população são partes essenciais do nosso trabalho.

Respeitar o cidadão também é ser honesto com ele.


Fake news e o desafio da comunicação em tempo real

A desinformação se espalha mais rápido do que a informação correta. Muitas vezes, ela se apoia em medo, indignação ou desconfiança, sentimentos que ganham força nas redes sociais.

Nesse cenário, a comunicação pública precisa atuar em duas frentes. Primeiro, monitorar o que circula e responder rapidamente quando surge uma informação falsa. Segundo, investir em comunicação preventiva, explicando políticas públicas, processos e decisões antes que ruídos se formem.

Fortalecer os canais oficiais também é fundamental. A população precisa saber onde buscar informação segura, principalmente em situações de crise.


Liderar comunicação é, antes de tudo, liderar pessoas

Nenhuma secretaria funciona sem equipes comprometidas. Comunicação é um trabalho coletivo, que exige profissionais com diferentes habilidades, formações e perfis.

Acredito profundamente nas pessoas. Liderar, para mim, significa confiar, orientar e criar espaço para que cada um contribua com o melhor que tem. Não se trata de controlar tudo, mas de construir responsabilidade compartilhada.

Esse modelo fortalece a equipe, aumenta a criatividade e cria um ambiente de cooperação. Em um setor que vive sob pressão constante, isso faz toda a diferença.


Comunicação como ferramenta de transformação social

O que mais me motiva na iniciativa pública é a possibilidade real de transformação social. Políticas públicas se materializam em ações concretas: iluminação nas ruas, vagas em creches, atendimento em unidades de saúde, cursos de capacitação, programas de assistência e acesso à cultura.

Já acompanhei histórias de famílias que mudaram completamente de perspectiva por conta de políticas públicas bem executadas. Nesses momentos, fica claro que comunicar é parte do processo de transformação, pois é a comunicação que conecta as pessoas aos seus direitos.

Sem informação, o serviço existe, mas não chega a quem precisa.


Falar com toda a cidade, sem distinções

Comunicação pública precisa dialogar com toda a população, não apenas com um grupo específico. Todos somos impactados por decisões da gestão municipal, independentemente de classe social ou local de moradia.

Por isso, é essencial usar linguagem clara, múltiplos canais e formatos acessíveis. Além disso, ouvir a população é tão importante quanto informar. A escuta ativa permite ajustes, correções e aprimoramento das políticas públicas.

Sem diálogo, não existe gestão eficaz.


O papel das prefeituras no combate à desinformação

As prefeituras têm responsabilidade direta na proteção da qualidade da informação que circula sobre obras, serviços e decisões administrativas. Isso exige:

  • monitoramento constante das redes sociais
  • produção contínua de conteúdo explicativo
  • respostas rápidas a boatos e distorções
  • presença ativa de gestores nos canais digitais

No entanto, nenhuma estratégia de comunicação se sustenta sem coerência entre discurso e prática. A confiança só se constrói quando há alinhamento entre o que se comunica e o que se executa.

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A comunicação que queremos construir em Ribeirão Preto

Nosso objetivo é que a comunicação institucional da cidade seja percebida como próxima, acessível e útil. Que o cidadão sinta que a informação foi pensada para ele, com respeito e clareza.

Quando as pessoas compartilham conteúdos oficiais, fazem perguntas e participam das discussões, entendemos que houve conexão. E conexão é um dos principais indicadores de que a comunicação está cumprindo seu papel.

Informar é importante. Mas aproximar é essencial.


Comunicação como pilar da democracia

Democracia depende de acesso à informação, diálogo e participação social. A comunicação pública é um instrumento fundamental para que esses pilares se mantenham fortes.

Quando a população entende o que está sendo feito, confia e participa, a gestão se fortalece. Quando há ruído, desinformação e falta de diálogo, cresce a descrença nas instituições.

Por isso, comunicar é um ato político no sentido mais nobre da palavra: servir ao interesse coletivo.


Entre valores pessoais, fé e responsabilidade pública

Minhas decisões são atravessadas por valores pessoais, pela minha história, pela minha família e pela fé que me sustenta nos momentos mais desafiadores. Acredito que esses elementos influenciam diretamente a forma como lidamos com pressão, críticas e conflitos.

Antes de qualquer comunicado, procuro sempre refletir sobre como aquela informação será recebida e como ela pode impactar a vida das pessoas. Comunicação exige técnica, mas também exige sensibilidade e empatia.


Concluir é reafirmar o compromisso

Comunicar em tempos tão complexos é desafiador. No entanto, também é uma oportunidade de fortalecer vínculos, construir confiança e contribuir para uma cidade mais informada e participativa.

A comunicação pública não resolve todos os problemas, mas ela pode abrir caminhos, esclarecer decisões e aproximar a gestão das pessoas. E esse, para mim, é o maior sentido de estar nesse papel.


📌 Este artigo é uma adaptação editorial de entrevista concedida ao PodHelô, apresentado por Heloisa Pedrosa, com episódio completo disponível no YouTube.

Assina:
Luciana Oliveira
Secretária Municipal de Comunicação de Ribeirão Preto


Assista agora e compartilhe o PodHelô com Luciana


Ouça também esse episódio o PodHelô com Luciana Oliveira no Spotify https://open.spotify.com/episode/3czkQ01OmXiuysK1eNP7sA?si=-tS0pJ0DRTi8d_7eSDstAg

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Escrito por:

Heloisa Pedrosa

Colunista HP

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Heloísa Pedrosa

Heloísa Pedrosa

Colunista e Fundadora
Apresentadora do programa Heloisa Pedrosa, do PodHelô Cast e Ideias de Sucesso. Palestrante e Digital Influencer.

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